Normalmente, o corpo repõe as células da pele em cada 28 dias, mas, na psoríase, este processo é acelerado, por vezes até dez vezes a média normal. É isso que causa as manchas escamosas. Por que razão acontece, é algo que ainda não é bem conhecido. Não é causado por infecção, reacção alérgica, ou deficiência vitamínica ou mineral. Há uma ligação genética em muitas pessoas que sofrem deste problema de pele. A maioria das vezes não há uma cura completa, pois embora as manchas possam ser tratadas e desapareçam, provavelmente outras surgirão durante a vida da pessoa.
Tratando a Psoríase
O que se pode fazer, naturalmente, para ajudar a controlar esta doença irritante e, muitas vezes, desagradável à vista?
Comprar alguns peixes que comem psoríase e tomar um banho semanal com eles? Embora este tratamento possa ser eficaz na redução e controlo do crescimento da pele, especialmente em casos graves, poderá não ser prático para a maioria das pessoas!
Os antigos Egípcios e Índios esfregavam as manchas vermelhas, escamosas, com plantas que contêm psoraleno (compostos que combatem a psoríase) e depois mandavam as pessoas sentar-se ao sol.
- Os tratamentos com psoraleno funcionam porque estes compostos inibem a divisão celular, abrandando as células que se dividem rapidamente e causam as manchas de psoríase. Em prática hospitalar, os psoralenos químicos são usados oralmente, mas são limitados a formas graves da doença, devido à sua elevada toxicidade nesta forma. Felizmente, há plantas que contêm psoraleno e que não são tóxicas – a Angélica é uma das mais disponíveis. Pode ser tomada oralmente ou aplicada sobre a pele. Outra, a ser esmagada e esfregada na pele, é a Bisnaga – ammi visnaga.
- A luz solar é um agente maravilhoso. Em pacientes com doença resistente, os médicos prescrevem banhos de luz ultravioleta (UVA). Muitos evitam os banhos de sol por causa do aumento do risco de cancro de pele. Mas uma exposição moderada poderá, muitas vezes, ajudar a diminuir a gravidade da psoríase, e, desde que as pessoas não se queimem, não será um risco elevado de melanoma maligno, que é o assassino entre os cancros de pele.
- Adopte uma alimentação saudável, com muita fruta fresca e vegetais, grãos integrais e tão pouca gordura animal quanto lhe seja possível. Assim, de certeza que obterá vitaminas A, C e E em abundância – os antioxidantes que previnem a inflamação. E certifique-se de que ingere, diariamente, alimentos que contenham psoraleno, tais como, cenoura, aipo, citrinos, figos e funcho.
- Há vários óleos vegetais que ajudam muito no tratamento da psoríase: coma 2 ou 3 pecãs todos os dias, pois o óleo que contêm é rico em selénio e vitamina E.
- O óleo de linhaça contém os compostos benéficos dos ácidos eicosanóico e alfa-linolénico. A semente de linhaça é barata e fácil de obter nas casas de produtos naturais. É mais facilmente assimilada pelo organismo se for moída até se tornar em pó. Devem ingerir-se 2 a 3 colheres de sopa por dia, misturadas na sopa, nos cereais, na salada ou no iogurte. Quem fizer pão em casa, acrescente à receita habitual ½ chávena de linhaça para cada forma de pão. Também não se deve esquecer de incluir, na alimentação, sementes de girassol.
- Há muitas plantas que são benéficas quando aplicadas nas zonas afectadas:
– Capsicum, mais conhecida como pimenta de caiene ou piri-piri, tem mostrado, em estudos, reduzir, com bastante sucesso, tanto a descamação como a mancha vermelha, embora cause algum ardor. Há alguns cremes, de venda comercial, que contêm 0,025% de capsaicina, o ingrediente activo. Poder-se-á, ainda, preparar um creme caseiro, misturando ½ colher de chá de pimenta de caiene com 2 colheres de sopa de azeite, creme gordo ou vaselina. Há que ter o cuidado de aplicar apenas nas áreas afectadas, e de lavar bem as mãos, de forma a evitar que vá para os olhos! E, se arder muito, poder‑se-á acrescentar um pouco mais da base utilizada.
– Camomila. É muito utilizada na Europa para tratar a psoríase e a pele muito seca e escamosa. Esta planta contém flavonóides, com uma acção anti-inflamatória considerável. Também há disponíveis cremes com camomila, muitas vezes combinada com vitamina E. Estes cremes ajudam bastante, pois as manchas na pele são, normalmente, muito secas e a aplicação de qualquer creme dá um grande alívio.
– Alcaçuz. Contém ácido glicirretínico, que age na pele como hidrocortisona, mas sem os efeitos secundários graves que são tão conhecidos neste medicamento. Os cremes de hidrocortisona são muitas vezes usados como tratamentos de primeira linha para a psoríase. Um extracto de alcaçuz pode ser aplicado directamente com um pouco de algodão e depois deixado a secar. Se não se conseguir um extracto, pode ser obtida uma solução bastante forte fervendo a raiz em pouca água e depois deixando macerar.
- Quando há uma área muito grande envolvida, pode ser feita uma aplicação geral, sob a forma de um banho de aveia. Dá uma grande ajuda no caso de comichão. Deve pôr-se umas mãos cheias de aveia num tecido de malha larga (uma gaze, por exemplo), e colocá-lo debaixo da água quente enquanto a banheira se enche. Dessa forma, a aveia não entupirá o ralo.
E ainda...
Além destes agentes de que falámos, também é muito importante que se controle o stresse. O stresse é um dos factores conhecidos que despoletam o surgimento da actividade da doença e que fazem piorar os sintomas, embora não seja o stresse o factor causativo da doença em si. Um adequado descanso nocturno, relaxamento planeado, especialmente na natureza, em conjunto com exercício físico, poderão ir muito longe na ajuda prestada na redução da ansiedade. E, claro está, também se beneficiará se se evitar os agentes culpados do stresse – cafeína, álcool e tabaco.
Na psoríase, faz sentido aplicar, sempre que possível, remédios naturais eficazes, pois eles serão uma ajuda significativa na redução da necessidade de se recorrer a tratamentos médicos. Esta importância ainda é maior quando vemos que este é um problema que se manterá durante toda a vida, e o uso prolongado dos medicamentos actuais para a psoríase poderão causar efeitos secundários significativos.
( da minha pesquisa - artigo de Marianne Ferreira - Médica - publicado em http://medicinapreventiva.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=22&Itemid=2)
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